E já exige do segurado cerca de dois meses a mais de trabalho para compensar o aumento no desconto. O índice reduz a média salarial e pode diminuir o benefício em até 40%. O fator é recalculado todo ano, em dezembro, com base na expectativa de vida da população. Quem agendou a aposentadoria no INSS até o dia 30 de novembro escapou do desconto maior.

Grande vilão das aposentadorias por tempo de contribuição, o fator previdenciário foi criado com o objetivo de desestimular os trabalhadores a pedirem a aposentadoria na faixa dos 50 anos de idade. Quanto maior a idade do segurado ao solicitar a aposentadoria, menor é o desconto do fator.

No ano passado, os trabalhadores ganharam uma chance de escapar do fator: a fórmula 85/95. Quem tem, na soma da idade com o tempo de contribuição, 85 pontos (mulheres) ou 95 (homens), ganha um benefício sem redutor. Se o trabalhador vai completar essa pontuação até julho de 2017, por exemplo, compensa esperar para pedir o benefício sem desconto.

Para se ter uma ideia do quanto esse cálculo é mais vantajoso, desde a sua criação, os aposentados receberam, em média, R$ 950 a mais, em comparação com os que tiveram o benefício calculado com o fator. Com 59 anos de idade, um trabalhador só consegue os 95 pontos com 36 anos de contribuição ao INSS.

Com a reforma da Previdência que o governo Temer enviou ao Congresso, o fator previdenciário pode estar com seus dias contados, mas isso não quer dizer que os trabalhadores devem correr para se aposentar antes das regras mudarem. Todos os que já tiverem completado o tempo mínimo de contribuição quando a reforma for aprovada não precisarão trabalhar mais para poder se aposentar.

Nesses casos, além de poderem escolher o melhor momento para pedir o benefício, esses trabalhadores terão uma vantagem: a nova fórmula de cálculo da reforma vai ser melhor do que o fator para quem está na faixa dos 50 anos de idade e já tem o tempo mínimo de contribuição, que é de 30 anos (mulheres) e 35 anos (homens).

REFORMA Nascido nos anos 60 será mais afetado

BRASÍLIA. Trabalhadores nascidos entre o fim da década de 60 e meados dos anos 70, e que entraram no mercado com carteira assinada a partir do fim dos anos 80 serão os mais prejudicados pela reforma da Previdência. As mulheres sofrerão ainda mais, caso sejam aprovadas a idade mínima de 65 anos, com tempo mínimo de contribuição de 25, e regras iguais para elas e para homens.

Um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que uma mulher terá que contribuir mais 17 anos para a Previdência em relação ao que teria que recolher sob as regras atuais.

O trabalho de Neuriberg Dias, analista político e assessor parlamentar do Diap, toma como exemplo uma mulher de 1975: começou a contribuir para a Previdência há 23 anos, quando tinha 18. Atualmente, ela está com 41. Pelas regras em vigor por tempo de contribuição, ela tem que continuar no mercado por mais sete anos, até completar 30 de contribuição, para pedir a aposentadoria. O valor seria reduzido consideravelmente pelo fator previdenciário. Com a nova regra, terá que contribuir por 24 anos, até chegar a 65 de idade: 17 anos a mais em relação às regras atuais.